Mulher

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A mulher no papel chefe de família

As mulheres sofrem mais com o desemprego e estão majoritariamente no trabalho informal, principalmente por terem maior dificuldade de se inserir no mercado. Além disso, elas também acabam “preferindo” jornadas mais flexíveis por precisarem buscar filhos na escola, levar ao médico etc.

O novo “Bolsa Família” e o impacto para as mulheres chefes de família

O Bolsa Família é um importante programa de transferência de renda que oferece autonomia às mulheres beneficiárias, segundo um estudo da ONU. Em geral, como o benefício é registrado em nome das mulheres, o programa tem proporcionado o aumento do poder de decisão delas em seus lares e do seu senso de cidadania. Além disso, ao garantir um mínimo de independência financeira para essas mulheres, o Bolsa Família impacta positivamente, permitindo que elas possam sair de situações de dependência ou, muitas vezes, de violência doméstica.

Por outro lado, as chefes de família tendem a trabalhar menos horas no mercado de trabalho e realizar mais atividades domésticas, o que acaba reforçando os estereótipos de gênero. Essa distorção tende a se intensificar no cenário de pandemia, caso as políticas públicas não consigam alcançar problemas estruturais que expulsam as mulheres do mercado formal de trabalho.

Apesar de todos os avanços proporcionados pelo programa já demonstrados em diversos estudos, o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, confirmaram a intenção do governo de reformular o Bolsa Família, unificando programas sociais existentes e contemplando também os trabalhadores informais que estão recebendo o auxílio emergencial durante a pandemia do coronavírus.

É importante lembrar que o programa já teve um corte de 83 milhões de reais que foram destinados para investir em publicidade do governo. Essa medida afeta principalmente as famílias do Nordeste do país, que no início do ano receberam apenas 3% dos recursos do Bolsa Família, apesar de representarem 36,8% das famílias cadastradas
Embora os detalhes sobre essa proposta ainda não estejam claros, o anúncio foi feito em um momento em que o Congresso avança na discussão sobre a criação de uma renda básica no pós-pandemia.

“Nesse cenário de grande precarização do trabalho e empobrecimento feminino, uma renda mínima como direito seria muito importante para equalização de gênero. Mas este instrumento deveria vir associado a outros instrumentos estatais de aporte de cuidado familiar como, creches e escolas de tempo integral, hospedagem para criança à noite, lar para idoso, que também é uma sobrecarga feminina, e normatizações para que não aconteça uma expulsão da mulher do mercado de trabalho, como a exigência de percentual de mulheres em cargos de liderança.

Proposta do Bolsa Família e a questão da autonomia feminina

O objetivo inicial do Bolsa Família era transferir renda e, com as condicionalidades, acabar com o ciclo da pobreza. A ideia era de que, por meio de um acompanhamento de saúde e da frequência escolar, os filhos e as filhas das beneficiárias iriam se qualificar para o mercado de trabalho e ter mais chances de não seguirem na pobreza. A escolha por colocar as mulheres como preferenciais beneficiárias se deram em razão da ideia de que a renda que as mulheres auferem ou administram são mais democraticamente repartidas no âmbito familiar em comparação com os homens. Ou seja, a perspectiva era de que as mulheres gastam melhor e não de ‘vamos dar para as mulheres para elas ficarem mais empoderadas ou independentes’. Também não era uma compensação porque elas cuidam das crianças ou porque elas estão mal inseridas no mercado laboral brasileiro.

Resumindo, o programa nasce com essa perspectiva, unifica programas que já existiam, coloca tudo no mesmo cartão, amplia, qualifica e, indiretamente, gera um processo de maior autonomia das mulheres, principalmente nas zonas mais empobrecidas. Então, sim, você tem o processo de viabilizar o acesso para muitas mulheres a um domínio financeiro que elas não tinham anteriormente. Isso significou, em várias situações, que elas passaram a se sentir mais autônomas para tomar decisões, inclusive sobre o que comprar. Ao contrário de quando elas dependiam da renda do companheiro. Em outras situações, houve também o processo de conseguir se separar de um companheiro de quem não gostavam, ou que era violento.
Cobrança por uma maternagem de qualidade

Mas, ao mesmo tempo, essas mulheres passam a ser cobradas por uma maternagem de qualidade:

A responsabilidade pela frequência escolar é das mães. A responsabilidade pelo acompanhamento da saúde e vacinação é das mães. Só que, não necessariamente o aporte público de qualificação e de oferta desses serviços foi proporcional à demanda que o Bolsa Família gerou. Eu estou falando de mulheres que tinham de dormir na fila do posto de saúde para fazer o pré-natal porque é pré-requisito, ou na fila para conseguir fazer matrícula dos filhos na escola.

 

 

A relevância da mulher no Poder Executivo”.

 

A participação política das mulheres é de extrema importância para garantir que as questões que nos afetam sejam pautadas nos parlamentos e nos executivos.

Garantir a igualdade de gênero na política é garantir a igualdade de direitos entre homens e mulheres.” … “A mulher tem papel fundamental na sociedade

 

Brasil está entre os piores em participação de mulheres no governo

 

Relatório da ONU aponta que apenas 39 países são piores do que o Brasil na representatividade feminina

Ainda que o presidente Jair Bolsonaro tenha declarado, no Dia Internacional da Mulher, que cada uma de suas duas ministras “valia por 10 homens”, o Brasil possui um dos governos com menor participação de mulheres do mundo. Segundo o Mapa Mulheres na Política 2019, relatório da ONU e da União Interparlamentar publicado nesta terça-feira 12, o Brasil ocupa a posição 149 em ranking de representatividade feminina no governo (em um total de 188 países).

São apenas 9% de representatividade com Damares Alves como ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, e Tereza Cristina na pasta da Agricultura. A média mundial é de 20,7% – a maior já registrada. Na Câmara e no Senado, o Brasil tem 15% de participação feminina – com 77 deputadas para o total de 513 cadeiras, e apenas 12 senadoras entre os 81 eleitos.

Os meninos devem aprender a levar flores para as meninas e abrir a porta para elas.

 

Democracia no Brasil e participação feminina na política

Democracia e participação feminina proporcional na política são dois conceitos extremamente correlacionados. Uma representação política justa, tanto das mulheres, quanto dos homens, é condição para que se estabeleça de fato uma democracia. No Brasil, o contingente populacional feminino é mais numeroso do que o masculino e, apesar disso, as mulheres compõem somente 13% dos cargos eletivos do país, de acordo com registros do TSE. Dessa forma, não se pode falar de um sistema democrático absoluto, pois não há representatividade ampla e isonômica.

 

É preciso que haja alterações no sistema político e na forma de ver a mulher brasileira. A natureza problemática dessa realidade brasileira deve ser apontada e resolvida. A bancada feminina reivindica a criação de elementos que favoreçam a inclusão de mulheres no Legislativo. Reformas políticas são métodos eficientes para que haja uma transformação nessa diferença entre a participação masculina e a feminina no âmbito político.